sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Vamos deixar esta fossa?

Vem, levante-se daí, saia desse baixo astral.
Vem, erga a cabeça, abra o coração para as coisas boas.
O pior já passou, a poeira está baixando, o tempo está passando.
Vamos ver o céu azul que nos cobre, ainda que o dia esteja num calor infernal.
Para você, menina, deixe a tristeza de canto, acabe com todo o pranto, busque ser feliz.
Ainda que demore.
Ainda que ninguém mais creia em você.
Ainda que você não creia mais em você mesma.
Deixe a fossa! Deixe a deprê.
Acabou? Teve fim? E daí? Bora subir o nível, bora correr, grite, cante, pule, deixe que os outros pensem que você enlouqueceu.
O pior já passou.
Vamos deixar esta fossa? Nem que seja para mandar um “foda-se” bem falado, bem pronunciado, para essa fase lazarenta que nos perturba, ou para aqueles que querem o nosso fracasso!
Vamos deixar esta fossa?

-------------------
E. R. M., 24/11/12

domingo, 14 de outubro de 2012

Quero meu Palmeiras de volta!

Foi-se o tempo em que víamos surgir "o Alviverde imponente"!
Onde está aquele time de verde que botava medo nos adversários?
Onde está a aquele time que, de tanto jogar um futebol bonito, ganhador de títulos, era chamado de "Academia"?
Onde está o velho Palestra Itália, o time dos italianinhos, que se tornou Palmeiras, clube que abrange não só os ítalo-descendentes mas também a torcedores de outras raças, como negros, asiáticos, mineiros, gaúchos, nordestinos e este que escreve estas linhas, um paulista de sangue cearense?
Cadê o verde-esmeralda da camisa? Foi trocado por um horroroso verde-limão marca texto!
Cadê o Verdão? Caiu pra segunda divisão!
É de lascar ver o Corinthians, nosso eterno freguês, viver uma situação melhor do que a nossa!
É de doer ver o São Paulo, o mesmo time que fugiu do Pacaembu na arrancada heróica de 1942, com medo de sofrer uma goleada impiedosa do recém-renomeado Palmeiras, figurar entre os principais do futebol nacional!
É de matar um coração alviverde ver o Santos, que um dia ganhou de todo mundo menos da gente, conquistar títulos.
Onde está aquele time verde e branco que aterrorizava os adversários só de ser visto em campo?
Onde estão os craques?
Onde estão os dirigentes vanguardistas de outrora? Preferiam o bem-estar do time em detrimento do financeiro!
Só sei de uma coisa: quero o meu Palmeiras de volta!
Na primeira ou na segunda divisão, meu coração sempre cantará o Verdão!
Quero meu Palmeiras de volta!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Hipócritas

Detesto gente hipócrita.

De que adianta se escandalizar com um pai que dá uma palmada no filho, se acaba achando engraçado quando esse mesmo pai dá um pouco de álcool para o pequeno beber?

De que adianta o homem ser super consciente, ter raiva de outro homem que bate na mulher, querer aplicar a Lei Maria da Penha no dito cujo, mas se ele pega tudo quanto é puta na rua, transa com com as raparigas e passa doença venérea pra esposa? Depois é a pobre da mulher que tem de se expor, quando vai fazer tratamento pra combater a moléstia sexual contraída do maridão.

De que adianta o cidadão ter uma penca de afilhados de batismo, se ele vive falando mal de padre e da Igreja? Se não gosta, por que aceita ser padrinho?

De que adianta aquela moça ficar fazendo fofoca pra irmã sobre o cunhado, se a cabeça tá cheia de chifre?

Ora, por que será que tanta gente se contradiz?

É porque não tem nada na cabeça, a não ser merda.

De que adianta ficar pagando de pai exemplar, querendo dar bons exemplos e censurando os fuxiqueiros, se é o primeiro a falar que fulana casada deu pro vizinho, que o rapaz da rua de baixo é baitola ou que fulano de tal é ladrão?

Aos hipócritas só digo uma coisa: vão à... ponte que caiu!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Viriato e a fábrica na Assis Ribeiro

Viriato é um daqueles “baianos” que saíram do sertão pra tentar a sorte em São Paulo, se bem que não era da Bahia e sim piauiense, mas para os patrões era sempre mais um “baiano”, apelido que o irritava no começo, mas que com o passar do tempo acabara se acostumando.
Indo para a cidade grande aos dezessete anos, trazido pelo irmão mais velho, foi se fixar numa pensão que ficava na antiga São Paulo-Rio, a atual Avenida Marechal Tito.
Seu primeiro emprego foi na Nitro-Química, mas foi mandado embora numa crise séria que assolou a empresa. Ficou uns dois meses parado até que foi trabalhar em uma das várias fábricas situadas às margens da Avenida Assis Ribeiro, não sei nem mais como era o nome dela.
Ficou lá alguns anos, acho que uns dez se tanto, sempre na mente de retornar pra terrinha. Apesar de gostar do serviço, detestava pegar aquele “Mercedão” da CMTC lotado que ia para a Praça do Correio (a única coisa boa era uma loirinha que descia uns dois pontos antes dele), enfrentar a fila na hora de bater o cartão ou ouvir chamada de atenção do encarregado. Seu consolo era a hora de comer o que tinha naquela marmita bendita.
Outra coisa que o incomodava era aquele cheiro forte de fosfato e amônia, pois trabalhava com substâncias químicas, nem me lembro mais o que que era produzido lá. Teve até de se licenciar, não sei se foi em 1975 ou 1976, só sei que foram uns quinze ou vinte dias de licença no INAMPS.
Mas aconteceu um fato que o fez voltar de vez pro Piauí: quando o Figueiredo virou presidente, havia muita greve por aí, principalmente em São Bernardo, e na fábrica em que Viriato trabalhava, lá em Ermelino Matarazzo, não foi diferente. Chegou o pessoal do sindicato, agitou a firma todinha e por fim veio a paralisação.
Viriato, coitado, sem ter nada a ver com o movimento, caiu na besteira de ficar parado ao lado do carro de som que falava pros operários aderirem à greve, quando veio a polícia (naqueles fusquinhas vermelhos e pretos) e desceu a porrada no pessoal. O infeliz acabou apanhando “legal” e ficou sem poder se sentar por uns três dias.
Como já pensava em voltar pro norte, sem falar no fato de que a mãe estava bem ruim de saúde, resolveu se mudar de São Paulo.
E o tempo passou...
Os filhos cresceram, os netos chegaram e Viriato, um médio comerciante em sua cidade natal, do nada quis rever aquele lugar agitado onde morou por alguns anos, saber se encontraria ainda algum ex-colega de fábrica, alguma ex-paquera do ônibus...
Comprou uma passagem de avião (“Dessa vez vou e chego no mesmo dia, pois da última vez que vim de lá pra cá, fiquei cuns quarto doído de tanto ficá sentado por mais de três dia”, disse ele aos filhos), fez a viagem que tanto desejou e se achegou na casa de um sobrinho na Penha.
Mas para sua surpresa, achou tudo muito diferente, pois as coisas, de 1979 pra cá, mudaram muito.
Ficou irritado quando o cobrador do ônibus riu da sua cara quando perguntou se aquele ônibus que ia pro Itaim passava pela São Paulo-Rio, ou se a parada era do lado da igreja velha de São Miguel.
“Mas agora é tudo casa e comércio grande!”, espantou-se. “Aquele lugar na Avenida São Miguel, no meu tempo, era um matagal só, ali naquela área verde na beira do riozinho não tinha uma pedreira?”.
Vixe! E quando foi ao lugar da fábrica, pensando inocentemente que ela ainda estava lá, funcionando de vento em popa, que decepção.
Fazia muitos anos que ela tinha se mudado para Goiás, e o que restou da área da antiga firma foi invadido e virou uma favela, eufemisticamente chamada de “conjunto habitacional”.
“Daqui da Assis Ribeiro até aqui, quando eu passava pela linha do trem, era verde de tanto mato, agora é só concreto e favela!”, exclamou frustrado. “Isso era uma riqueza só, quanto dinheiro rolava aqui, e agora? Agora é só pobreza e desemprego”.
E o nosso herói sentiu um aperto tão grande no coração que, sem notar que havia muitas crianças no local – muitas delas netas de alguns de seus ex-colegas de batalha diária -, deixou escorrer as lágrimas, pela tristeza ao ver que aquele seu antigo emprego, que lhe proporcionara uma pouca economia que fora usada na sua nova vida na terra natal, virou uma coisa degradada, abandonada pelas autoridades, habitada por gente que, como ele há quase cinqüenta anos, saiu do sertão tentar a vida em São Paulo mas que não teve a mesma sorte.

--------------------

(E. R. M., 22/05/12)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Nas catacumbas do Oriente

É Semana Santa, quinta-feira, véspera da Paixão.
As ruas estão vazias, não há nenhum sinal de vida circulando.
Os maometanos estão confortáveis em suas casas, na mesma medida em que os cristãos estão escondidos.
Escondidos para poderem celebrar os ritos da Paixão e da Ressurreição do Senhor Jesus.
Escondidos por não seguirem ao impostor de Meca.
Escondidos por serem cristãos.
E é nessa semana onde a Igreja relembra o martírio do Filho de Deus na cruz que os cristãos do Oriente se apegam mais ainda à esperança da ressurreição.
As bombas, as armas, as agressões, os atentados que os muçulmanos impõem, não são capazes de fazer esses anônimos deixarem de seguir a Jesus Cristo.
Nem as prisões arbitrárias, nem a violência e as violações, nem as igrejas incendiadas, nem as meninas cristãs escravizadas sexualmente, nada faz esses valentes discípulos do Mestre deixá-lo.

Os cristãos olham, desolados, sua casa de oração destruída, enquanto os servos de Alá contemplam a tristeza cristã com sarcasmo.
Quem foi que disse que a era das perseguições havia terminado? Quanto engano!
É noite de Quinta-feira Santa, quando Cristo se fez servo e serviu aos discípulos. Noite de vigília, de oração, onde nem o mais implacável perseguidor deixa de ser lembrado nas preces dos cristãos, para que se converta.
É noite de Quinta-feira Santa, e no dia da instituição da Eucaristia, os cristãos escondidos recebem a Cristo Eucarístico, dentro de porões, casas miseráveis ou nas ruínas de uma igreja destruída.
Resumindo: eles estão nas modernas catacumbas.

--------------------
(E. R. M., 05/04/12)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Zona Leste

Zona Leste é muita treta.
Zona Leste tem os truta.
Zona Leste tem os mano
e também os filho da...

--------------------
(E. R. M., 13/03/12)

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quando o homem pisar em Marte

Quando o homem pisar em Marte
quando colocar os pés naquela terra enferrujada
será que estará mais humano, mais solidário
ou estará com sua alma atormentada?

Quando o homem pisar em Marte
como estará a humanidade nessa hora?
Viverá em tempos melhores que hoje
ou em épocas piores do que as de agora?

Quando o homem pisar em Marte
ainda crerá em Deus?
Estará tão afastado do Criador
ou ainda crerá no "Rei dos judeus"?

------------------
(E. R. M., 28/02/12)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O imprestável e o rancor

A mágoa e o rancor são os melhores sentimentos, pois eles fazem cair as máscaras, e as pessoas te jogam na cara aquilo que elas verdadeiramente pensam sobre você. É até preferível que te chamem de imprestável e inútil na sua frente, a dizer que você é um cara batuta mas que, pelas suas costas, te chamem de filho da puta!

--------------------
(E. R. M., 26/10/11)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Suas mãos têm cheiro de sangue

Suas mãos têm cheiro de sangue
sangue de gente inocente
defendes tão cinicamente
o fim de crianças inocentes!

Alegas que é pelo bem-estar
da mulher oprimida e explorada
e essa conversa se faz espalhar
por aquela gente desalmada.

Te dizes cristão: isso não pode!
Não és cristão e teu santo de devoção
é o infanticida rei Herodes!

Me chame de opressor machista
mas isso não é verdade, não!
Saiba que eu só defendo a vida!

--------------------
(E. R. M., 13/10//12)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Esse beijo

Beijo.
Doçura da alma.
Consolo da carne.
Boca que estala no rosto.

Coisa boa.
Beijo.
Mais doce que o mel.
Te leva pro céu.
Um beijinho só.
Só um.
Beijo.
--------------------
(E. R. M., 02/02/12)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Conversas na missa da igreja de São Paulo Apóstolo

No interior do Nordeste ainda são bastante comuns as festas do santo padroeiro, onde as localidades param para honrá-lo. Melhor ainda é quando os festejos são no mês de junho, coincidindo com as quadrilhas de São João, como na festa de São Paulo Apóstolo, que é celebrada em 29 de junho – mesmo dia de São Pedro.
No pequeno povoado de São Paulo do Itaquarioca é missa festiva e a igreja está lotada, as pessoas se aglomeram e muitas outras estão no lado de fora.
Enquanto o padre não chega, a senhorinha de cabelos brancos sentada no banco do corredor comenta com uma outra senhora não menos idosa:
- Mundinha, tu ouviu falá qui a fia do Zé do finado Luiz Situba fugiu cum rapaizim novo da prefeitura, aquele galeguim dos zói verde?
- É nada, muié de Deus!
- Tô dizeno! Parece até qui teve bucho no meio, tava inté de seis mêis já, pela forma do bucho, deve sê uma minina...
No mesmo instante o padre chega, acompanhado das suas carolas e beatas, uma mais “dedicada” que a outra:
- Padre Chiquim, o sinhô num qué as estola?
- Não, dona Zefinha, eu já trouxe elas aqui, obrigado.
- Mais o sinhô num qué que eu traga as estola mesmo não?
- Dona Zefinha, eu já disse, eu trouxe as estolas comigo, estão até na minha bolsa.
- Mais o sinhô pode ter si isquicido, padre!
Aí a outra beata interfere:
- Cumade Zefa, dêxe di sê besta, num tá vendo qui o padre num qué qui os pessoal fique pegano nas estola dele?
- Não é isso, dona Mariquinha... – tenta se defender o padre.
- Padre Chiquim – agora é Dona Mariquinha – o sinhô num qué qui eu pegue as estola pro sinhô?
Jesus amado, é hoje!”, pensa o padre Chiquinho, suspirando e olhando para o céu.
Enquanto isso, num dos bancos que ficam perto da porta de entrada, um garoto pergunta para a catequista (uma menina nova, não deve ter mais de dezesseis anos) algo sobre a imagem de São Paulo:
- Ô tia, por que o santo segura uma espada cuma mão e um livro ca ôtra?
Ao que a moça, toda pimpona, responde:
- Ora, é pusquê Sum Paulo, pra invangelizá, matava aqueles qui num quiria si convertê pra igreja!
- Ah...
- E como ele mesmo dizia que “quem cum ferro fere cum ferro será firido”, ele morreu quando uns home do imperadô...
- ...Qui imperadô? Aquele jogadô?
- Não, minino! O imperadô romano! O santo foi morto pelos home do imperadô por causa da espada qui ele num soltava!
- Tá, mais e o livro?
- É pusquê antes o santo era iscrivinhadô di livro. Tá sastifeito?
- Tô sim, tia!
A missa finalmente começa, o padre faz as orações iniciais e, enquanto muitos estão prestando atenção nos ritos católicos, outros estão mais entretidos com a vida alheia. Um vigia do posto de saúde, que aproveitando que estava de folga e foi à igreja, se vira pro primo sentado no banco de trás e comenta:
- Cumpade Antôim, esse padre aí num sei não...
- ...Num sei não o quê, home di Deus? – Seu Antônio já se impacienta.
- Num sei não, mais esse padre Chiquim pra mim é baitola!
- Num diga esse nome fêi no mêi da missa, criatura!
- Ora, tu vai mim dizê que tu num sôbe das história desse padre na antiga paróquia dele?
- Rapáiz, isso é fofoca, tu num sabe qui a negada daqui num véve sem falá dos padre qui vêm pra cá?
- Cumpade Antôim, ó o jeitim desse Chiquim! Todo delicadim, todo chêi di frescura... “Chiquim”... Isso lá é nome de padre?
- Cumpade Mané, mi dêxe vê a missa!
- Tá bom, cumpade, tu é muito é zangado!
E a missa acontecendo, até que...
- Cumpade Antôim...
- Quê qui foi?
- Eu digo qui o padre é baitola...
- Num fale esse nome, fi de Deus!
- Ele é isso mesmo aí sim, pois o povo tá dizeno por aí qui aquele rapaizim novo da prefeitura foi simbora pra Brasília pra dipois o padre fugir e si incontrá cum ele lá!
O outro que está sentado ao lado do vigia se intromete:
- É aquele galeguim dos zói azu?
- Sei lá, pra mim era uns zói mêi amarelado, mais é sim, é o rapaizim novo da prefeitura, ele tá de caso cum padre Chiquim. O pessoal diz qui viu eles dois na beira do rio, bem na curva.
- Ô vocêis dois! – esbraveja Seu Antônio – Si num gostam do padre, pusquê num vão simbora logo? Eu quero é vê a missa!
Na mesma hora, na porta dos fundos, Miguelina, uma professorinha de vinte e tantos anos, bonita não só de rosto como também de corpo, mas com uma cabecinha vazia, faz a seguinte observação à D. Carminha, secretária da paróquia:
- Dona Carminha, mulher de Nossa Senhora, esse padre é tão gostoso...
- Lina, mulher, olha o respeito! Estamos na casa de Deus, respeite o padre!
- Ora, que culpa tenho eu se o padre tem um jeitão de macho? Parece até ator de novela das oito!
- Lina, Lina...
- Dona Carminha, a senhora não sabe da nova: não tem a filha do dono da oficina da rua de cima?
- A menina do compadre Zé Setúbal? O que houve?
- Ora, ela sentiu a “pegada” do padre Chiquinho, os dois foram vistos no carro da paróquia, pertinho pertinho da curva do rio! Dizem que o Seu Zé do finado Luiz Setúbal mandou ela lá pra Brasília, pra casa de uns tios, pois ele ficou com vergonha de ter descoberto que a filha engravidou do padre...
No momento em que celebra a missa, padre Chiquinho sequer imagina que estão falando várias coisas a seu respeito, e crê inocentemente que todos os fiéis estão na igreja para honrar a pessoa de Saulo de Tarso, o grande apóstolo São Paulo, além de louvar o Senhor.
Porém, muitos desses fiéis vão à missa tão somente para fazer fuxico da vida alheia, nunca serão cristãos de verdade. E muitos vão à igreja sem ter o mínimo de noção sobre a vida dos santos ou o respeito à celebração eucarística. É como disse o Pe. Antônio Vieira:
"Antigamente, batizavam-se os convertidos; hoje é preciso converter os batizados".
--------------------
(E. R. M., 23/11/11)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O evangelho dos otários

Pregador berra no púlpito
e o povo incauto aplaude.
Pouco tempo depois, de súbito,
lágrimas enchem o balde.

“Dá glória a Deus!”, grita
o espertalhão missionário.
Todos os dias passa na tevê
o evangelho dos otários.

É apóstolo, bispo e missionário
em igrejolas com nome pomposo:
querem alcance mundial e universal:
Isso é negócio bastante rendoso!

“Dá glória a Deus!”, grita
o apóstolo e grande profeta:
enquanto isso, no altar incita
o povo miúdo a doar-lhe a oferta.

É o evangelho dos otários
que dão cem, duzentos contos
mas que caem no conto do vigário
e o bispo compra mais um ponto.

Curas, milagres e muito choro
eis o espetáculo celebrado
no horário nobre isso vale ouro
e mais otários são enganados.

É o evangelho dos otários.
“Dá glória a Deus!”, grita
o espertalhão missionário:
esse povo é pior que cabrita!

É muito choro, muita emoção
a “glória de Deus” enche o lugar.
Isso tudo é muita enrolação
os infelizes querem se enganar.

A falsa humildade é muito grande
o líder chora sem lágrimas derramar
será que ninguém pára por um instante
e a esses espertalhões não vão investigar?

É o evangelho dos otários:
engana o apóstolo e o bispo,
o pastor e o missionário
até o padre, eu não acredito!

--------------------
(E. R. M., 04/01/12)