quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Eleitor, essa é pra você!

Obrigado, eleitor.
Obrigado por me eleger.
Obrigado por me reeleger.
Obrigado mais ainda por me compreender, pois meu nome não estava na lista da ficha limpa.
Mas isso não pode, eu sou político profissional, não posso ficar sem meu sagrado direito de exercer minha profissão.
Como não posso expressar tudo aquilo que sinto pelo povo do meu estado, deixo que meu filhão, orgulho do papai, faça isso por mim.
Mostra a língua pro povão miúdo que elegeu o papai, meu filho!

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(E. R. M., 28/12/11)

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Fonte da imagem: Folha de São Paulo

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sou branco, e daí?

Para começo de conversa, não sou racista, mas...
Sou branco, e não tenho orgulho disso.
Sou branco, tenho sangue português mas nem por isso sou burro.
Sou branco, mas nunca fui rico.
Sou branco, mas eu nunca tive escravos africanos, nem meus ancestrais tiveram.
Sou branco, e daí? Até porque não sou "BRANCO 100%".
Eu também tenho raça, mas ela não tem nenhum dia da consciência para elevar minha auto-estima.
Se você é de alguma “minoria” e precisa ter orgulho dela para se afirmar, não me culpe por seu sentimento de inferioridade.
Sou branco, “tem culpa eu”?
Sou branco, mas não me acho melhor do que os outros só por isso.
Sou branco, mas não me culpe por seus fracassos.
Sou branco, mas que culpa eu tenho se meu povo resolveu tomar conta “dessa zorra toda” e quis trazer um pouco de civilização ao Novo Mundo?
Resumindo: em terra de pardo, é maldição ser branco.

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(E. R. M., 12/12/11)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Jesus, o louco

Tu te tornaste escravo
Tu te fizeste imundo
Foste perfurado por cravos
Para a salvação do mundo.


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(E. R. M., 26/10/11)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Lamento pelo Tietê

Ai Tietê, o que fizeram com você?
Ontem eras o progresso e hoje, és o quê?
Por ti passaram cargas e pessoas
Coisas ruins e coisas boas
Num barco a se mover.

De Salesópolis, partes límpido
Mas quando chegas a Mogi, nem tanto
É iniciada toda a agressão:
Ao sair de lá, meu Deus, que espanto!
Já sofres com a poluição!

Guarulhos, ai terra que ajudaste
Com o barro de seu fundo
Para as casas de todo mundo.
Veja com que lhe pagaste:
Com o lixo mais imundo!

Itaim, São Miguel e Ermelino
Já na entrada de São Paulo se sente
Pare e veja que cruel destino
Foram de ti tão dependentes
Hoje, são só indiferentes.

Em Cangaíba, na Penha e no Tatuapé
Vê-se que nada de você melhorar
Por ti só a fumaça dos carros
Que lhe são como que escarros
Do carbono a infestar.

Só no interior voltas à vida
No caminho do rio Paraná
Águas totalmente despoluídas
E muito cheias de oxigênio e vida
Que inveja que me dá!

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(E. R. M., 05/10/09)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Cabo Basílio

São nove da noite, é hora de o Basílio sair de casa para trabalhar. Ele dá um beijo na mulher e nos dois filhos pequenos, se der tempo, vai passar na casa dos pais para pedir a bênção, coisa que para o trabalho dele é mais do que fundamental, é a razão da própria sobrevivência.
Coloca o uniforme bem guardado na mochila, passa pelo portão de casa, olha para o céu – sem estrelas, querendo chover – faz o sinal-da-cruz e vai ter de subir a ladeira para ir à avenida principal do bairro pegar o ônibus, pois o tempo correu e não vai dar para ir lá nos “velhos”.
Desconfiado, olha para os lados, vê só algumas pessoas que retornavam do trabalho e um grupinho de adolescentes sentados numa calçada, jogando conversa fora.
Entra no ônibus – vazio – senta-se na poltrona ao lado do cobrador, fica pensando em sair daquela profissão cansativa, nos filhos que deixou de ver nascer, na mulher angustiada em casa...
Sente um aperto no coração, uma raiva misturada com tristeza, mas logo isso passa, pois é justamente esse trabalho que lhe dá o sustento.
Chega quarenta minutos depois, entra no quartel e veste a farda, pega a arma e se junta ao colega de viatura para ficar de prontidão, caso aconteça alguma coisa. Lembrou-se do meliante
que matou um velhinho só por causa de duzentos contos e na vontade de meter bala na cabeça daquele vagabundo, porém teve de segurar a raiva e esperar o camburão chegar e levar o marginal para o distrito. Lembrou também do soldado Cardoso, que foi remanejado para fazer serviços de escritório, justamente por ter dado fim num traficante perigosíssimo, o Carlinhos Mata-Mil.
“Isso é justo?”, perguntava-se o bravo soldado, recém promovido a cabo, “aquele maldito quase mata o Cardoso, deixou um companheiro nosso aleijado, e ao invés do Cardoso ser promovido por fazer o grande serviço de eliminar um assassino, ele é punido!”
Todos do batalhão sabem da injustiça cometida, mas quem seria doido de reclamar?
Passou-se o turno. Até que aquela noite foi tranqüila, se comparada às outras.
Finalmente amanhece e o bravo cabo Basílio volta ao quartel, esconde bem a sua farda, que não é para a vizinhança saber disso (há muita bandidagem na quebrada onde mora), chega em
casa, e dá graças a Deus por retornar vivo. Vê que os filhos já estão acordados pois é hora de irem à escola, e vai tentar dormir, para logo mais à noite recomeçar aquela luta, sem ter um salário justo e o pior, sem ter o mínimo de reconhecimento de quem deveria valorizar essa difícil profissão.

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(E. R. M., 28/10/09)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Rotina

São cinco da manhã e o despertador toca.
Lá fora tá um friozão de rachar.
Dou uma enrolada no tempo.
Tempo? Que tempo?
A hora vai passando, a cidade levantando e os ônibus a circular.
Na cama tá bom, mas não dá pra ficar.
O banho...
Vixe, que água gelada, saiu do congelador? Esse chuveiro não tá no quente?
Que besteira, tem que estar limpo e cheiroso, que é pra dar boa impressão no trampo.
Na rua, a neblina: uma bruta cerração, mal dá pra ver a mão, e no céu, só escuridão.

Chegou o busão... Eita! Que lotação, tá cheio até demais! A essa altura, limpo ou fedido tanto faz, pois isto aqui é uma lata de sardinha, e isso porque ainda tem o metrô!
Metrô... Ai caramba! De Artur Alvim até a Sé é uma viagem interminável. Ainda tem a baldeação pro Jabaquara.
Acho que no meu próximo emprego vou querer ir trabalhar pra lá do Itaim, não ligo se for em Mogi ou mesmo Itaquá, até porque de manhã, do centro pra lá, os ônibus vão bem vazios, apesar de que teria de levantar bem mais cedo, pois transporte praqueles lados às cinco, cinco e meia da madruga, só de quando em quando.
Chegando às oito em ponto, vejo o meu patrão de “ótimo” humor, cobrando o serviço de ontem.
E o dia passa numa velocidade tão rápida quanto tartaruga.
É o jeito: pra quem não quiser viver de esmola, tem que ser de dia no trampo e de noite na escola! E eu que não estudei direito pra prova de Matemática hoje...
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(E. R. M., 31/01/11)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Telegerúndio

O cliente vai estar resmungando
A musiquinha vai estar enchendo
A operadora vai estar enrolando
O cliente vai estar se aborrecendo.
A musiquinha vai estar tocando
E o cliente vai estar enlouquecendo
A operadora vai estar falando
E o cliente não vai estar entendendo.
O cliente vai estar se irritando
A operadora vai estar escrevendo
O cliente vai estar reclamando
Mas é a empresa que vai estar perdendo.
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(22 de julho de 2009)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

No dia em que eu morrer

No dia em que eu morrer

não quero choro nem bajulação

só porque eu vim a falecer

não quero lágrima e lamentação.


No dia em que eu me for

não quero soluços compungidos

não quero nenhum favor

e nem sentimentos fingidos.


Já me basta a ira divina

o juízo particular e a sentença

por minha vida tão cretina

eis que será uma hora tensa.


Não quero os que, na minha vida

viviam somente a me ofender

mas que depois da minha partida

“sofredores” querem parecer.


Não quero sequer um velório

peguem meus restos e os enterrem

pois eu nunca fui fã de falatório

acabem logo com esse réquiem!

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(26 de outubro de 2011)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ô raça desgraçada é nordestino!

Por qualquer coisa de ruim que acontece no Brasil ou no mundo, o culpado é sempre o nordestino.
A Seleção de 1982 perdeu a Copa? A culpa é dos nordestinos!
As Torres Gêmeas caíram. A culpa é do Osama? Não! É dos nordestinos!
Só falta dizer também que a Quebra da bolsa de Nova York em 1929 foi causada por algum empresário arretado, que foi botar um dinheiro porreta para investir no ramo da farinha e da rapadura.
A Grécia está em crise? É por causa da invasão nordestina!
E por falar em país europeu, Hitler acusava os judeus por eles quererem dominar o mundo, e exterminou milhões deles. Mas o Adolfinho, na claridade daqueles olhinhos azuis e daquela feição de germânico puro, era muito burro, pois se tem uma raça que quer dominar o mundo, essa raça é a dos nordestinos!
Um brasileiro superior deverá pensar mais ou menos assim:

"Esse bando de cabeças-chatas infectos invade a terra dos brasileiros de bem e impõe essa cultura cabocla repugnante, com seu linguajar grosseiro, seu estilo horroroso e animalesco.

A Dilma só foi eleita por causa dessa gente infame! Isso é um horror! Oh my God, um horror!
Se você está revoltado, faça-me um favor: taque uma bomba nessa gentalha!
E agora é o ENEM! Já não bastava esses paraíbas imundos tomarem o dinheiro do nosso trabalho, agora esses baianos cretinos, daquele Ceará lazarento, resolvem trapacear na prova, tirando vantagem em detrimento de milhões de brasileiros honestos!"
E blá, blá e... blá.
Não sei não, mas acho que aqueles que odeiam tanto os nordestinos, deve ser porque lá no fundo, eles sentem é algo enrustido, um misto de inveja, de admiração e por que não dizer, de paixão arrebatadora por esse povo "cabra macho", que pode ser feio, mas não tem essa baitolice de se adaptar com o clima ou com a comida.
O nordestino pode ser o que for, só que ele não é como muito branquinho puro que tem por aí, que quando vai a alguma praia do odiado Nordeste, fica vermelho como um camarão e fica se maldizendo por ter ficado todo ardido.
O nordestino pode ser mestiço, misturado ou vira-lata, mas sub-raça não! Sub-raça jamais, pois ele por si só já nasce resistente a todo tipo de ambiente.
É como escreveu Euclides da Cunha, o pessoal do sertão "é um forte".
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(E. R. M., 28/10/11)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aos pés do Cristo crucificado

Tal como o poeta, ponho-me aos Teus pés,

Ó Cristo poderoso, padecente no madeiro,

mas que amoroso e piedoso sei que Tu és,

Que nos resgatastes com zelo verdadeiro.

Ao contemplar Tua figura agonizante

mal imagino o que em Ti se passou

da prisão no horto ao último instante

quando na Santa Cruz tudo se consumou.


Sei que não sou digno de Tua presença

Ó Cristo glorioso, razão de toda glória

pois recusei com o pecado a pertença

à lista dos justos de toda a História.


Ó Cristo, Tu que és o Senhor dos senhores

olhai com piedade a este que se achega a Ti

na humilhação, nas trevas e nas dores,

e demais coisas pelas quais sofri.

Tuas chagas são remédio

Teus ferimentos, a cura

Teu sangue, o que dizer?

São o consolo na tortura!


Ó Cristo, Filho da Virgem Maria

olhai a mim, indigno servo teu

e que eu cumpra o que Ela fazia:

pôr em prática os planos de Deus!


Eu, pecador, deveria estar em teu lugar

mas não, para o mundo Tu eras louco,

e resolveste o pesado lenho carregar.

Qualquer coisa que eu fizer será pouco.

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(25 de outubro de 2011)

Águas do pólo

Onde estão aquelas águas

aquelas águas dos pólos?

As águas do aquecimento global

águas no submerso litoral?


Pensei que elas viriam

inundar a praia daqui

mudar de idéia elas decidiram

resguardando a praia de Jeri!


Onde estão as águas

as águas do Norte-Pólo?

aquelas que afogariam

até a cidade de Marco Polo?


As águas alarmantes

as frias geleiras árticas

sequer para cá vieram

juntar-se às águas antárticas!


As águas do alarmismo

ainda estão a encher

com seu falso bom-mocismo

nos impor o seu proceder!

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(25 de outubro de 2011)

sábado, 22 de outubro de 2011

Nós e a paróquia da vila

Sempre estivemos acostumados a associar a juventude com tudo o que não presta.

Obviamente isso tem um fundo de verdade, mas nem sempre é assim, pois quando alguns jovens agarram certos ideais, eles podem transformar o mundo.

Eu também fui um deles.

Éramos alguns poucos, mas era de lei nos reunirmos na paróquia da vila para rezar, cantar, falar besteira, fazer palhaçada, enfim, viver algo diferente daquilo que o que chamávamos de “mundão” nos oferecia.

Éramos santos? Não, não éramos santos, mas buscávamos a santidade.

Caíamos muitas vezes, mas sabe quando uns se unem para ajudar os outros? Assim eram aqueles fins de semana na paróquia da vila.

Quando vejo certos jovens que se perdem com tanta coisa errada, me dá um aperto no coração, pois eles não tiveram a oportunidade de experimentar aquilo que eu vivi.

Essa experiência, de ajudar a igreja, desde ser catequista, cantar na missa ou até mesmo tirar aqueles bancos pesados de madeira para poder lavar o templo, forjou e construiu pessoas. Pessoas não, nem cristãos.

Construiu cidadãos.

Em pleno sábado, quando a maioria deixava para acordar depois das nove da manhã, lá estávamos nós, puxando e arrastando aqueles trambolhos, pegávamos sabão e dá-lhe esfregão para tirar o encardido do chão.

O melhor período era no mês de junho, quando tinha quermesse: quantas conquistas, quantos foras, quanta coisa intensa que era vivida.

Mas o que é bom, como diz o ditado, dura pouco.

O tempo, esse cavaleiro impiedoso, pede passagem, faz-se presente nos rostos daquela juventude.

Cada um trilhou seu rumo.

Cada um criou seu mundo.

Viraram adultos.

Uns continuam na vila até hoje, outros mudaram de endereço mas continuam na mesma cidade.

Já outros mudaram de estado (ou até de país), só que aqueles fins de semana lá naquela igreja de periferia, tenho certeza, ainda estão bem gravados em cada coração.

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(23 de outubro de 2011)

Carácoles, o mundo acabou?

Cacilda, acabou-se o mundo e ninguém me avisa?
Que loucura de mundo onde o filho bate no pai, na mãe e no cachorro!
Por falar em cachorro, que loucura de mundo onde as mulheres deixaram de ser mulheres e quiseram ser cachorras!
Que loucura de mundo onde os jovens perdem a saúde de tanto colocar aditivo químico na cabeça!
Acabou-se, não tem jeito!
Veja quantas pessoas que abriram mão da construção da sociedade em troca de um punhado de dinheiro! Não querem mais trabalhar, só ficar coçando o dia todo, o dia todo...
Que mundo louco é esse onde "mães" praticam a pena capital sobre pobres crianças que, sem ter culpa da progenitora ter aberto as pernas para o gostosão da vila e ser abandonada pelo dito cujo, são extirpadas como se fossem vermes!
Que mundo estranho onde há seres humanos que se nivelam por baixo e acham-se inferiores às vacas e porcos de uma fazenda qualquer!
Bizarro, muito bizarro!
Acabou? É esse fruto da evolução?
Se, conforme Darwin, saí da macacada, eu não tenho a menor curiosidade em saber onde terminará tal "evolução".

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(01 de março de 2010)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Saudades de Sampa

Ai, São Paulo, por que não me esqueço de ti?

Há anos que estou no paraíso, na vida calma do interior à beira-mar e ainda sinto a sua falta.

A falsa calmaria daqui é a antítese da sua agitação, do seu corre-corre, do movimento do povo a andar, trabalhar e transacionar.

Sei bem a razão de ainda pensar em ti: és o ápice da civilização, Babilônia do Hemisfério Sul, encruzilhada das nações, terra de todos os povos.

É a periferia o meu lugar, seja ela honesta ou bandida, trabalhadora ou vagabunda.

É o ônibus lotado, o trem apertado ou o metrô atrasado, o engarrafamento, a Marginal Tietê entupida de caminhões à beira do rio, o monóxido de carbono no ar, o céu cinza-chumbo às duas da tarde anunciando que vêm águas violentas a transbordarem o riozinho na vila.

Tens problemas? Que cidade que não os tem?

Milhões de viventes, milhões de reais, milhões de quilos de lixo.

São Paulo de Piratininga é a terra dos milhões.

Quisera eu ser um de seus milhões, ainda.

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(15 de março de 2010)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Eu, anti-romântico

Esse negócio de romantismo não é comigo.
Acho isso uma puta frescura inventada por gente que não tem a mínima noção da vida.
Tem romantismo na escola, onde nós professores temos o “gravíssimo” dever de nos envolver emocionalmente com os alunos, sendo “amigos” (leia-se “pais”) dos graciosos estudantes; se um aluno é indisciplinado ou vai mal nas notas, é porque o elemento não se sente bem acolhido no recinto escolar, daí a importância do “professor romântico”.
Tem romantismo na igreja, onde durante a missa as equipes de canto, desculpem-me, os famigerados “ministérios de música” ficam cantando muitas musiquinhas chatíssimas, principalmente aquelas oriundas do protestantismo pentecostal. Romântico é o padre que gosta de falar de um amor pra lá de bichístico, fica divagando sobre o planeta Terra ou sobre a bondade natural do ser humano, sem falar que esses padres melosos andam (e cantam) como verdadeiros galãs de dramalhão mexicano.
Tem romantismo na família, onde os pais não podem sequer dar um beliscão na criança malcriada, pois seria como diz o ditado, “quem bate para ensinar, ensina a bater”.
Tem romantismo na família também quando a gente de fora fica com frescura quando uma criança está para chegar, mas nenhum vivente iria querer acordar de madrugada com chororô de bebê enjoado ou para trocar fraldinha suja de cocô do pequeno meliante.
Tem romantismo até no casamento, onde nós homens temos a obrigação de saber quando é a data de aniversário do casório, senão a patroa fica amuada ou começa a nos encher o saco.
Tem romantismo na política, onde o ladrão engravatado enfia o dinheiro na cueca ou na meia e quando é pego, ou ele diz “eu não sei de nada” ou fala que usaria a bufunfa para distribuir panetones pro povão miúdo da periferia.
É por essas e outras que prefiro mesmo ser um anti-romântico inveterado, chato e rabugento, a ser um bobo-alegre que vive cantando a vida para disfarçar as mazelas que ela nos impõe.

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(03 de fevereiro de 2010)

domingo, 16 de outubro de 2011

Bem-vindo ao "Predador de Ilusões"

Depois de três anos e meio com o blogue católico "O Cruzado Missionário" e o outro, "O Multiluso", eis que me aventuro a viajar nas letras.
Sei que é muita pretensão de minha parte querer bancar o poeta ou o cronista - longe disso - mas brevemente estarei postando crônicas e poemas que venho escrevendo desde há alguns anos. São textos que vão da temática cristã católica (inclusive alguns já foram publicados n'O Cruzado) até coisas da vida mesmo.
Espero que o amigo leitor e a prezada leitora gostem.
Outra coisa: como professor de Língua Portuguesa, as circunstâncias me obrigam a escrever e a ensinar na nova regra, mas nos meus blogues, eu ainda utilizarei a regra antiga.
Abraço a todos e fiquem com Deus.